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Frete suspende negociações de grãos para exportação da safra 2018/2019

07 de Agosto de 2018 – 14:42 horas / DCI

A negociação antecipada de contratos de grãos para a safra 2018/2019 está parada devido à falta de referência para a negociação no mercado futuro. Isso acontece em razão da indefinição em relação ao tabelamento de frete no país.

 

“O impacto é tão grande que os negócios estão completamente parados. Se essa incerteza continuar, as exportações de 2019 serão um desastre”, afirmou o diretor da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela B3, em São Paulo.

 

“Segundo ele, o tabelamento aumentou em US$ 20 por tonelada os custos para os exportadores brasileiros. “No nosso setor a logística é um ponto central, e justamente aí estamos adicionando custo e não possível para as empresas suportar. ” Ele ainda alerta que a guerra comercial entre China e Estados Unidos pode agravar o cenário, uma vez que os benefícios ao Brasil devem ser de curto prazo e um eventual acordo entre os dois países pode reduzir as opções de negociação da oleaginosa brasileira. “Daqui a pouco, quando a gente resolver negociar [o grão a ser entregue em 2019] já não dá mais tempo”, diz.

 

“O setor aguarda uma definição sobre o tabelamento para setembro, após a apreciação do tema na audiência pública no Superior Tribunal Federal (STF) marcada para o dia 27 deste mês pelo ministro Luiz Fux. “É essa clareza que vai destravar o mercado de comercialização. O mais importante é saber qual vai ser o parâmetro de preços. A gente já poderia estar avançando na comercialização até mesmo da safrinha do ano que vem ”, diz o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa.

 

“Para a segunda safra de milho de 2019, ele estima que 5% da produção já esteja negociada. “Se não tivesse acontecido a greve, já estaríamos com mais de 30% comercializado”. No caso da soja, que será semeada em setembro e negociada no ano que vem, ele afirma que a comercialização está bastante atrasada. “O normal é a gente chegar ao plantio no Cerrado com 50% negociado e estamos longe disso”.

 

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz, a comercialização no mercado físico começa a ser retomada após a greve, com preços das commodities entre 10% e 20% menor devido ao tabelamento de fretes. “Os prêmios compensam somente as quedas em Chicago em função da guerra comercial entre China e Estados Unidos. E nós poderíamos estar ganhando com isso”, avalia. Braz aponta que a incerteza sobre o tabelamento também dificulta a entrega de fertilizantes nas lavouras. “Isso poderá trazer baixa adesão a tecnologias o que vai acarretar em menor produtividade.

 

“Esse tabelamento deve acrescentar entre 10% e 15% nos gastos”. Para Braz, a área semeada para 2018/2019 deve repetir a cultivada no ano passado em razão de todas essas incertezas. “Pessôa, por outro lado, não acredita que haverá uma redução no uso de tecnologias nas lavouras e mantém a expectativa de crescimento em área de 3%, em mais de 1 milhão de hectares. “Acho que a gente teve um certo atraso nas entregas de fertilizantes, mas que as indústrias já estão conseguindo recupera-lo. Dificilmente vai haver uma redução nesse uso de tecnologias, salvo no caso de produtores que tenham deixado essa decisão para a última hora”.

 

Para ele, o processo de entrega de fertilizantes começou a acelerar com a proximidade do período de plantio. “Acredito que em julho, agosto, setembro vamos ver números recordes históricos para esses meses, recuperando boa parte do atraso, e o limite máximo de entrega mensal dos fertilizantes de 4,5 milhões de toneladas será testado”, avalia.

 

Glifosato

“Segundo Braz, outra preocupação em relação à safra é a suspensão das licenças de agroquímicos que tenham como princípio ativo o glifosato. Na última sexta-feira (03), a juíza federal substituta da 7ª Vara do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, determinou que a União não conceda novos registros de produtos, em processo movido pelo Ministério Público. A juíza ainda determinou que a União suspenda, no prazo de 30 dias, o registro dos produtos que utilizam a substância até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua a reavaliação toxicológica dos produtos. “A situação inviabiliza a produção brasileira”, afirma Braz.

 

“Se não usarmos glifosato, 90% da safra não será plantada ou se plantadas não terão sucesso. É uma medida irresponsável de quem não sabe o que estão fazendo”, acrescenta. Segundo ele, a entidade vai buscar saída jurídica para resolver a questão o mais rápido possível. O diretor da Abag, Luiz Lourenço, acredita que a decisão será revogada. “Se não for, essa decisão acaba com o sistema de plantio direto. Um equívoco”